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Gestor de Dia e Eu Mesmo a Noite

Se você sente que é duas pessoas em uma, a que vai ao trabalho e a que está nos outros momentos, este artigo é para você!

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Um belo dia eu estagiária de uma multinacional decidi ir a um festival de música, e o planejamento era ficar 3 dias acampada no festival aproveitando o máximo de artistas que eu gostava muito.

Devido um imprevisto foi necessário diminuir para somente 1 dia de festival e nada de acampamento. Mas tudo bem, eu não ia me deixar abalar por imprevistos.

Mas, quando chegou à data que eu ia sair aconteceu um imprevisto na empresa que eu trabalhava e eles precisavam de pessoas para ficar fazendo uma maratona no sistema para minimizar as péssimas consequências que um programa estava causando.

Quando meu supervisor perguntou se eu podia ficar, isto porque eu viajaria dali algumas horas eu engoli a seco e disse que não, que eu já tinha um planejamento e que infelizmente não poderia ficar.

Esse não veio para mim como uma martelada, era como se eu tivesse comprometendo toda minha vida profissional, e fiquei me martirizando por aquele não por muito tempo.

Então aconteceu algo inesperado e que mudou meu olhar para sempre com relação aos meus colegas (e até superiores hierarquicamente) no trabalho.

Um dos supervisores chegou sério na minha mesa e eu arregalei os olhos e ele perguntou “você vai ao festival de música?” e eu ainda me martirizando respondi timidamente “sim”, e ele continuou olhando pra mim e disse “cara, eu não acredito que você vai ver uma das minhas bandas preferidas, por favor, tira foto?! Porque eu queria muito ir, vai tá massa demais”. E eu comecei a rir e vi que ele era um supervisor de dia, mas de noite ele era um fã de rock dos mais assíduos.

Notei ainda que ele só “confessou” esse seu gosto quando eu já tinha me lançado e arriscado mais que qualquer estagiário. Eu tinha dito onde eu iria e porque não ficaria ali. Foi como se eu, pioneira, tivesse aberto o caminho para ele poder me contar quem ele realmente era e do que gostava.

Daí fiquei me perguntando “quantas dessas pessoas que eu convivo todos os dias eu não conheço realmente do que gostam?” e ainda a pergunta chave “será que tem que ser assim?”.

Conversando sobre o ocorrido, muitos amigos que também trabalham no meio corporativo me contaram de gestores que de dia são formais e que a noite são fabricantes caseiros de cerveja artesanal, DJs, bateristas de bandas e o outras milhares de atividades informais escondidas embaixo de um terno e uma gravata apertada.

Mas, até quando?

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Até quando será necessário fingir ser quem não é, ou simplesmente não permitir que os colegas te conheçam como um todo para poder passar uma impressão de seriedade? Ou para ganhar aquela promoção?

Eu acredito que o mundo profissional e o hobby podem se aproximar, e pode haver um equilíbrio. Aliás, mais que isso, é saudável que haja essa comunicação.

Não estou me referindo a uma anarquia profissional onde todos podem fazer tudo. Até porque, organização é fundamental para que a produtividade funcione. Mas, estou sugerindo que não é necessário tanta formalidade ou tanto pré-conceito dentro da área profissional.

Tornar todo o processo profissional mais natural com pessoas sendo elas mesmas e tornar estes dois mundos um só. Inclusive como forma de promover os processos criativos e gerar soluções.

O fato é que esta cadeia comportamental vem sendo repetida por muitos anos. E, em meio tantas mudanças mercadológicas e sociais já passou da hora, até das empresas mais tradicionais, repensarem o modo de convivência.

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E, mesmo que a empresa tenha um casual day (dia casual) não é o bastante. A verdade é que este dia foi inserido nos anos 70 nos EUA com o objetivo de diminuir o estresse e aumentar a performance do trabalhador.

Então porque não promover tais benefícios todos os dias?

Ter um dia especifico para isso, só mostra que você conhece os benefícios que a diminuição da formalidade trás, mas não consegue romper destas amarras ideológicas.

Nós vemos exemplos de grandes empresas que quebraram este paradigma, principalmente na área de Indústrias Criativas. É só procurar imagens dos escritórios do Facebook e Google para poder comprovar.

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Aliás, é raro ver uma foto do Mark Zuckerberg em qualquer evento profissional ou até mesmo dentro de um dos escritório do Facebook de terno ou qualquer roupa social. E ele é um dos homens mais ricos do mundo.

Acredito que esta nova maneira de socialização profissional tem que se expandir para outros segmentos além das Indústrias Criativas. E para todos os tipos de profissionais, tanto Profissionais Empreendedores como Técnicos (leia mais sobre aqui).

Desculpe os gestores antigos que acreditam que tais tradições devem ser permeadas. Mas esse modo formal de trabalhar não vale a pena, já está em desuso e não faz para bem para a saúde emocional.

E, aos novos gestores, cabe a vocês permearem o que estão impondo desde sempre ou inovarem como futuros presidentes, diretores ou supervisores.

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